-paolice.

O que se vive, se escreve

#28

Primeiro, a experiência.

Depois, o silêncio, a clareza.

Então, a palavra.

No meio.

No meio do mato. 

No meio da natureza. 

No meio da montanha.

No meio da água que corre.

SSGHNN

SSGHNN

SSGHNN

(Acabo de descobrir que isso é onomatopeia de respiração profunda).

(Não, não. Isso não é minha testa que caiu do teclado).

SSGHNN

SSGHNN

SSGHNN

(Quem inventou isso?)

SSGHNN

SSGHNN

SSGHNN

No meio de algum lugar natural.

Em respiração profunda.

Fecho meus olhos.

Sinto algo sutil.

Afundo no meu eu.

Mas…

Meu corpo pesa. 

Não. Não. 

Meu corpo é puxado pelo centro da Terra. 

Meu corpo está exausto. 

QUE CAN-SA-ÇO!

Penso: 

❝

“Como é pesada essa carcaça que carrego”. 

Não. Não.

Quero abandonar o meu corpo!

Isso!

Quero A-BAN-DO-NAR!

Não. Não quero mais carregar esse peso.

Quero me manter em casa. No lar.

Isso!

Quero FI-CAR aqui!

Como pode?

Só agora percebo.

Como pode um corpo pesar tanto?

Não. Não.

Não em quilos. 

(Esquece estigma com quilos, gordurinhas localizadas, blá, blá, blá).

(Não, não é isso).

É o peso do corpo em comparação com a consciência.

(Oh, vida, como adoramos comparações).

Mas, sim, sim, o peso do corpo em comparação com a consciência.

Aaaaahhhh…

Ah, a consciência é tão, tão, tão sutil. 

Sutil. 

Sutil. 

Sutil. 

O corpo tão, tão, tão grosseiro. 

É, é, é.

Grosseiro.

Gosto mais do peso sutil da consciência. 

Isso!

Mas o corpo.

Esse. 

Pesa. 

Não, não de gordura. 

Não, não.

Pesa de energia congelada.

De matéria condensada. 

Coisa densa demais.

Grudada demais.

Junta demais.

Demais.

Uixi.

Agora, como descobri o peso do meu corpo é uma história bem curiosa. 

Beeem curiosa.

(Que não vou contar agora, kkkk).

Mas lá estava eu a…

A relaxar.

A relaxar.

A relaxar.

A elevar. 

A elevar. 

A elevar. 

E, e, e, pá…

PÁ!

Descobri que meu corpo é pesado. 

Descobri…

Que erguer meu braço é como erguer um bicho de toneladas.

Um cavalo? 

Não, não sei, nunca ergui um cavalo. 

Mas é pesado erguer o meu braço, ele pesa toneladas.

Os dedão do pé então. 

Bah, são como duas linguiças de 1kg.

Duas linguiças no lugar dos dedão.

Só que nada se compara…

Não. Não. 

Nada se compara com o peso da cabeça. 

Se os dedão dos pés pesam como linguiças de 1kg. 

Imagina o peso da cabeça. 

Só imagina.

Que loucura.

A cabeça não fica facilmente de pé no pescoço.

Que ilusão. 

Carregar o peso da cabeça num pescocinho. 

Numa sequência de ossinhos.

Que ilusão.

A cabeça.

Que agora, só fica caída pra algum lado. 

Porque não consigo manter ela de pé.

Porque ela pesa. 

Sim. Sim. Sim. 

Ela pesa.

Aliás…

Tudo.

Tudo. 

Tudo. 

Pesa. 

Minhas pálpebras.

Minhas pálpebras pesam também.

Grudam na minha cara, com o efeito de Super Bonder.

Não consigo nem abrir meus olhos.

Estão grudados de pesados.

Mas minha consciência…

Essa. 

Ah, essa sim. 

Sinto ela sutil. 

Mais sutil que a folha voando na tempestade. 

É, é, é…

Muito.

Muito mais sutil que a folha voando na tempestade. 

É, é, é…

SSGHNN

SSGHNN

SSGHNN

Silencie.

Se essa experiência encontrou a sua, me escreva.

— transcendência.

♡♡♡

P.S. Já sentiu o corpo pesado e algo sutil ao mesmo tempo?

P.P.S. Se esse texto ressoa com você, inscreva-se na newsletter e receba uma nova carta todas as quartas às 06:06.

Uma edição por semana. Da experiência para a sua caixa de entrada.

Se INSCREVA abaixo e receba toda quarta às 06:06 uma nova edição.