-paolice.
O que se vive, se escreve
#21
Primeiro, a experiência.
Depois, o silêncio, a clareza.
Então, a palavra.
Ser invisível…
Me diminuir para caber numa caixa menor que eu, fiz.
Pedir licença para existir, fiz.
Performar para provar que sou alguém, fiz.
Me culpar por existir, fiz.
Usar máscaras e fingir ser quem não sou, fiz.
É, é, é.
Fiz.
Às vezes ainda faço. (Admito.).
Quem?
Quem nunca?

Só que me sentir vazia não vale mais o preço.
VA.
ZI.
A.
Me vestir para ocupar um espaço que não é meu…
Não vale mais o preço.
Não vale mais.
Não vale mais.
Não vale mais.
Prefiro, me permito, existir.
E.
XIS.
TIR.
Me vestir.
Me vestir com roupas que fazem sentido.
Para ocupar o meu espaço.
Se há incômodo, problema de quem se incomoda.
Esse problema não é meu.
Não.
Não é, poxa!
Agora.
Sou o que sooooooou.
O, o, o, o, o, o, o.
O, o, o, o, o, o, o.
O, o, o, o, o, o, o.
Sou. Sou. Sou.
Ser.
Existir.
Não é fácil.
Preciso me despir.
Pecinha por pecinha.
Deixar minha alma nua.
Virar minha bunda para a lua.
Depois me vestir.
Com o eu sou.
Eu sou.
Existir.
Ser.

Se, se, se…
Ainda sentir a necessidade de…
Falar baixo para caber num lugar.
Segurar meu corpo que quer dançar.
Fingir gostar do que não quero gostar.
Dizer “não” e se justificar.
. . .
Se, se, se…
Essas coisas são tão necessárias, então…
Esse espaço não me pertence mais.
Não vou me espremer para caber numa caixinha.
Numa caixinha que não é minha.
Não.
Não.
Nunca mais.
Nunca.
Silencie.
Se essa experiência encontrou a sua, me escreva.
— presença.
♡♡♡
P.S. Qual é o tamanho da sua caixinha?
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