-paolice.
O que se vive, se escreve
#08
Primeiro, a experiência.
Depois, o silêncio, a clareza.
Então, a palavra.
Tento me lembrar quando comecei a amar as palavras…
Volto no tempo e…
Tenho 5 anos, sou professora muito rígida de 5 ursos preferidos de pelúcia com seus livrinhos coloridos de capa almofadada.
Estou com 7 anos, deitada no sofá de pernas para o alto, relendo pela décima vez o conto do coelho e da tartaruga. Minha avó materna está ao lado também lendo um livro. (Leitura: maior herança que ela me deu).
Tenho 8 anos, no dia do livro, toda sexta-feira, pego 3 gibis da Turma da Mônica e levo para casa para ler no final de semana.
Estou com 11 anos, acabei de ganhar do meu primo o primeiro livro infanto juvenil: Harry Potter e a Pedra Filosofal. (Sim, aí começa minha obsessão por livros e HP).
Tenho 15 anos, meus amiguinhos de escola me surpreendem ao completar minha coleção de Harry Potter no dia do meu aniversário. (Tenho até hoje).

Lembro de tudo isso, mas…
Não consigo me lembrar quando comecei a amar as palavras.
Foi quando aprendi a ler? Será?
Tento me lembrar qual foi a professora que me ensinou a escrever.
Não consigo lembrar. Cristina? Arline? Ivete?
Então, me vêm à mente a professora Patrícia ensinando frases compostas e seus objetos obscuros, terríveis. (Socorro!)
Ou lembro da minha mãe contar que minha primeira palavra foi “tatata”. (Aparentemente isso significa papai.)
Só que não me lembro quando as palavras começaram a ser tão importantes para mim.
Foi quando escrevi meu nome pela primeira vez?
Ou quando alguma professora deu 8, 9, 10 por alguma das tenebrosas redações?
Não sei, mas…
A palavra.
A escrita.
Para mim, é uma das melhores invenções da humanidade.
Minhas saudações ao Deus Egípicio Thot, pelos hieróglifos, por ter começado com tudo isso.
Thot, saudações, Deus da palavra. Escrita. Linguagem. Conhecimento. Astronomia. Magia. Sabedoria…
Parece até as entrelinhas da Paolice. Thot, você anda por aqui?

Volto à palavra.
Palavra, minha amada.
Não consigo me lembrar quando comecei a te amar.
Tento em vão buscar a origem, mas…
Eis, eu e você, aqui juntas nessa missão.
Juntas para completar o método da Paolice.
Primeiro, a experiência.
Depois, o silêncio, a clareza.
Então, a palavra.
A palavra consagrada.
A palavra sagrada.
A palavra.
Palavra.
Silencie.
Se essa experiência encontrou a sua, me escreva.
— palavra.
♡♡♡
P.S. Se você chegou até aqui, algo em você também está procurando a palavra certa. Se está chegando agora, entre. Se você está dentro, continue.

