-paolice.
O que se vive, se escreve
#20
Primeiro, a experiência.
Depois, o silêncio, a clareza.
Então, a palavra.
Com a respiração tranquila.
Dedos calmamente digitando.
Procuro uma palavra para descrever um sentimento que não existe.
Ou talvez exista, mas não consigo nomear.

Um sentimento que é misto de…
Calma.
Confiança.
Tranquilidade.
Transformação.
Alegria.
Paz.
A palavra seria amor?
Seria o amor uma emoção que se transmuta?
Então procuro…
Uma palavra.
Uma emoção.
Um sentimento.
Para nomear o que sinto nesse momento.
Pelo dia que está por vir.
Dia que está logo aqui.
O dia que dizem ser bodas de papel.
Mas seria bodas de papel para quem está junto há 10 anos?
Divide a cama há 9 anos?
Seria?
Acho que não.
Não. Não. Não.
Já passamos pela fase da delicadeza do papel.
Papel com o qual tudo pode ser desenhado.
Mas tão, tão, tão frágil.
Que qualquer coisa rasga.
Que qualquer coisa se destrói, se esvai.
Não. Não. Não.
Já passamos por essa fase.
Passamos por muitas outras.
Aquela fase que tudo muda.
A fase que algo tem que morrer.
Para o novo nascer, também.
Sim. Sim. Sim.
É, é, é.
O papel não é o elemento mais recomendado para descrever esse momento.

Talvez o barro?
Quem sabe?
Pode ser modulado.
Mudar de forma.
Mas quando seco, pode se quebrar.
Não. Não. Não.
Não é o barro.
Já passamos pela fase da secura.
Que tudo ressaca, necessita de umidade para crescer.
Essa já foi também.
Então, seria o zinco?
Um metal.
Se ficar frio, quebra.
Mas se manter a temperatura certa pode ser moldado.
É essencial para a saúde.
Multifuncional.
Hmm, pode ser, pode ser.
Zinco.
Bodas de zinco.
Não sei. Não sei. Não sei.
Há alguma bodas para descrever quando você sente que conhece alguém há muito mais tempo do que realmente é?
Tempo que talvez nem os números consigam provar.
Nem acreditar.
Porque parece que em 10 anos.
Não cabe tudo o que passamos.
Vivenciamos.
Sentimos.
Mudamos.
O nosso abdômen prova isso, não é mais o mesmo.
Os cabelos brancos provam que não são mais o mesmo.
O que acontece dentro, no interno, também não é mais o mesmo.
No começo.
No começo era como um fogo crepitante, agitado, tudo queimando.
Agora, agora tem fogo, mas não arde, não agita.
Vive.
Ele vive.
Então, qual?
Qual é a palavra certa?
Há realmente uma única palavra certa?
Se essa palavra existe para descrever uma vida de transformação conjunta, me conta.
Por favor, me conta.
Preciso conhecer ela.
Transmutar ela.
Consagrar ela.

Como ainda não consigo encontrar uma única palavra…
Ou um único sentimento, uma única emoção…
Talvez essas palavras aqui possam expressar…
Caro, marido, pelos vales e montanhas…
Nós mudamos.
Nos adaptamos.
Pelos vales e montanhas…
Nós crescemos.
Nos transformamos.
Pelos vales e montanhas…
Quero continuar a mudar, adaptar, crescer, transformar.
Principalmente te amar.
Amar, amar, amar pela vida inteira.
Silencie.
Se essa experiência encontrou a sua, me escreva.
— casamento.
♡♡♡
P.S. Qual é a palavra? Você sabe?
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