-paolice.

O que se vive, se escreve

#15

Primeiro, a experiência.

Depois, o silêncio, a clareza.

Então, a palavra.

Fecho meus olhos…

Inspiro.

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Expiro.

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Inspiro.

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Expiro.

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

O quadrado da respiração x 4.

É a chave de acesso à minha morada.

A morada interna. 

O universo que só eu e a Consciência Divina conhecemos. 

O universo do som. Da vibração. Da luz. 

Nessa habitação, sou apenas OBSERVADORA

Da respiração profunda (quaaaseee parando).

Dos batimentos cardíacos.

Tum. Tum.

Tum. Tum.

Do sentimento. Do amor em expansão. 

Me sinto em casa. De volta ao lar. 

Me recebo e sou recebida.

Me conheço e sou conhecida.

Observo peles, peles e mais peles serem removidas do meu corpo com um zíper.

Zíper que começa no topo da cabeça, desce até o cóccix.

Peles jogadas numa montanha escura de peles infinitas removidas com o tempo.

Traumas. 

Medos. 

Crenças.

Paradigmas.

Tudo o que não serve mais. 

Removidas e largadas como uma casca de banana num buraco, pavoroso, profundo.

Só observo.

Tum. Tum.

Tum. Tum. 

Observo correntes, correntes e mais correntes sendo liberadas por uma tesoura gigante.

Correntes grossas de navio transatlântico.

Correntes finas de nylon. 

E lá no céu, meu eu vibrante.

De cores indescritíveis.

(Brilhos tão, tão, aahh, ofuscantes).

Estou querendo voar. 

Espero que todas as correntes se rompam. 

Só observo.

Tum. Tum.

Tum. Tum. 

Observo.

Sou uma lagarta, esperando o momento de criar asas e voar.

Sou uma lagarta, prestes a transmutar numa borboleta. 

(Beroleta como dizia com 2 anos de idade).

Beroleta. Beroleta. Beroleta.

Linda, imagino.

Iluminada, imagino. 

Extraordinária, imagino.

Espero pacientemente.

O tempo certo. 

O tempo do Todo.

Para romper o casulo.

Me livrar daquilo que me prende.

Daquilo que não é mais meu.

Conseguir deixar morrer o que precisa morrer.

Para reviver.

Só observo.

Tum. Tum.

Tum. Tum. 

Aqui recebo instruções iluminadas. 

Observo o escuro. 

Observo o silêncio. 

Observo o pensamento passar. 

Coisas que quero continuar vendo.

Coisas que quero reprimir e nunca mais ver.

(Nunca, nunca mais).

Coisas que quero que nunca vá embora.

Coisas que não vou contar.

Coisas que nem quero contar.

Só observo.

Tum. Tum.

Tum. Tum. 

Aqui eu sou o eu sou.

Infinitamente pequena e grande. 

Plena.

Parte de tudo. 

De uma coisa só.

Sem início.

Sem fim.

Tum. Tum.

Tum. Tum. 

Silencie.

Se essa experiência encontrou a sua, me escreva.

interioridade.

♡♡♡

P.S. O que vive em você quando ninguém vê?

P.P.S. Se está chegando agora, entre. Se você está dentro, continue.

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