-paolice.
O que se vive, se escreve
#17
Primeiro, a experiência.
Depois, o silêncio, a clareza.
Então, a palavra.
Toca minha playlist de escrever.
Pá-pá-pá-pá-pá-rá.
Pá-pá-pá-pá-pá-rá.
Pá-pá-pá-pá-pá-rá.
Música eletrônica.
(No meu céu, no meu paraíso, no meu nirvana, toca música eletrônica e Queen).
Estou alegre. Entusiasmada. Poros vertendo felicidade.
Que emoção deliciosa.
Me embalo.
Uhuuuullll…
Pá-pá-pá-pá-pá-rá.
Pá-pá-pá-pá-pá-rá.
Pá-pá-pá-pá-pá-rá.
Então…
O que faço com essa emoção?
Reprimo ou danço?
Reprimo ou canto?
Reprimo ou escrevo, danço e canto?
Quero escrever, dançar, cantar, pular.
Jogar meu cabelo feito louca.
Louca. Louca. Louca.
Mas e se…
E se alguém ver, escutar?
Reprimo a vontade de ser alegre?

Talvez…
Talvez algum tempo atrás, não muito atrás…
Reprimiria com intensidade minhas emoções.
Pegaria minha armadura de cromo.
Me esconderia atrás dela.
Criaria couraça intransponível de ferro por baixo.
Criaria situações para controlar minhas emoções.
A ponto de…
A ponto de ficar fria. Fria.
Mas sabe…
Sabe, sabe, sabe de uma coisa…
Estou preferindo passar por louca.
Louca. Louca. Louquinha.
Viver a vida intensamente.
Rebelde. Rebeldemente. Rebelde.
Tocar o FO-DA-SE.
Porque quando escrevo, danço, canto.
Eu sou alegre.
Eu sou feliz.
Então escrevo, danço, canto, pulo, jogo meu cabelo.
Problema é: o que faço com as outras emoções?
Agora estou alegre.
Mas quando sentir…
Dor.
Culpa.
Ansiedade.
Reprimo?
Reprimir?
Ou aprender a vivenciar com presença cada emoção?
Prefiro. Escolho. Permito a última opção.

Há alguns dias…
Senti muita raiva.
Senti raiva com intensidade.
Dentes pressionados. Mãos fechadas. Unhas cravadas na pele. Costas travadas.
Que raiva. Que raiva. Que raiva.
Que vontade de socar, estrangular, alguma coisa. Ou alguém.
Ai que vontade!
Então, nesse dia, consegui identificar que a raiva não era minha.
Sim.
Não era minha.
Era de outra pessoa.
Por isso, me permiti deixar a raiva ir. Soltei ela.
E ela foi.
Só foi embora.
Como se não tivesse existido.
Não deixou nenhum sinal.
Nem nada!
E quando fui remover meus sisos?
Perdi o controle do meu corpo.
De tanto medo.
De tanto tremer de medo.
O que fiz?
Tentei reprimir. Me segurar. Controlar o que sentia.
“Fique aí escondido, medo.”
“Para de me sacudir, trouxa!”
Então, então, então…
Surgiu a vergonha.
A mocinha ali do lado não ajudou muito.
Não parava de perguntar: “Está tudo bem?”
O que respondo?
“Estou bem, mas me cagando de medo?”
Nesse dia, nesse dia vivi intensamente o medo.
E a vergonha por perder o controle do meu corpo de tanto medo.

Agora…
Quando a emoção vem.
Sinto intensamente com presença.
Surgiu o medo? Sinto o medo.
Surgiu a raiva? Sinto a raiva.
Surgiu a alegria? Sinto a alegria.
Então agora…
Só sinto.
Permito que as raízes emocionais saiam da sola dos meus pés.
Saiam até ancorarem na terra.
Com raízes tão, tão, tão profundas.
Tão, tão, tão profundas que me dão força.
Força para brotar.
Força para crescer.
Força para florescer.
Força para renovar.
Força para ser, sem me identificar com a emoção.
Agora brindo…
Brindo as emoções com vinho tinto seco.
Brindo com presença.
Brindo com emoção.
Com gratidão.
Tim-tim!!!
Saúde!!!

Mas antes, antes…
Calejada de carregar a armadura de cromo.
Dura. Dura. Dura.
Minhas emoções estavam no comando sem perceber.
Minhas dores no corpo?
Tensão ocasionada por alguma emoção negativa.
Mas sabe…
Sabe, sabe…
Que agora.
Agora.
Agorinha.
Nesse exato momento.
Estou preferindo passar por louca?
Louca. Louca. Louquinha.
Silencie.
Se essa experiência encontrou a sua, me escreva.
— emoção.
♡♡♡
P.S. Você vive consciente das suas emoções?
P.P.S. Se esse texto ressoa com você, inscreva-se na newsletter e receba uma nova experiência todas as quartas às 06:06.







