-paolice.
O que se vive, se escreve
#22
Primeiro, a experiência.
Depois, o silêncio, a clareza.
Então, a palavra.
Fecho meus olhos.
Sinto meu corpo ficar pesado.
E algo ficar leve no meu peito.
Por um breve momento consciente…
Sinto meu corpo dar uns pulinhos.
Sinto que meu corpo irá apagar.
Sinto que vou acessar o inconsciente.
Apago.
Apago, e quando acordo lembro de coisas estranhas.
Pessoas estranhas, em locais estranhos, com sentimentos estranhos.
Acesso o mundo estranho dos sonhos.
Ali onde a verdade só existe.
Ali onde é pouco compreendida em consciência pela minha razão.
A consciência, essa que mais posso viver do que explicar.
Essa que existe além dos meus 5 sentidos.
Além daquilo que posso…
Ver.
Saborear.
Sentir.
Ouvir.
Cheirar.
Essa que existe além das 5 experiências materiais.
Há experiência no corpo sem elas?
Há como viver sem elas?
Algo me diz que sim.
É! Isso! Sim!
Se…
Se, tivesse vindo a esse mundo.
Sem poder ver, saborear, sentir, ouvir, cheirar.
Sem tudo isso ao mesmo tempo.
Algo me diz que não seria como um robô.
Algo me diz que existiria em consciência.

E, e, e, essa é a diferença entre mim e o robô.
O robô.
O robô.
O robô.
Ah, o robô, pode fazer as coisas entediantes.
Sem sentir tédio.
Exato!
Coçar meu dedão do pé.
Esperar numa fila.
Ler manuais e resumir.
Mas…
Só o eu, pode viver em consciência.
Experienciar a vida.
Viver.
Aqui e agora.
Só o eu pode identificar coisas entediantes.
(Que saco!).
Coisas prazerosas também.
(Ui, delíciiiaaa!).
Mas sabe…
Às vezes, ajo como se fosse um robô.
(Declaração dolorosa).
No automático.
Na exatidão.
Na certeza.
Tão, tão, tão longe do…
Ver, saborear, sentir, ouvir, cheirar, viver.
Mas aí que está…
Por que?
Por que me manter lá looongeee…
No passado. No futuro?
Se ficar aqui e agora é mais…
É mais…
Mais…
Maaais vidaaa!

Há algo em comum entre mim e o robô.
Podemos ser programados e desprogramados.
(Palavras estranhas essas se repetidas algumas vezes).
(Tente!).
Podemos ser programados e desprogramados.
Isso é real!
Com certeza!
Verdade!
Isso significa que…
Posso explorar o território sem mapa.
Sem GPS.
Na nova programação…
Durmo, acordo, no novo ritual.
No ritual de PRESENÇA.
No ritual de PRESENÇA CONSCIENTE.
Na nova programação…
Conheço.
Conheço o que acontece mais dentro, do que fora.
O que acontece dentro é inominável.
O que acontece fora tem muitos nomes.
Nesse ritual…
Posso viver presente na rotina.
Quando escovo meu cabelo embaraçado.
Quando planto uma muda de trepadeira com espinhos.
Quando esfrego o pano de prato azedo.
Com pensamentos, palavras e ações conscientes, como…
“Nossa!
Que pano de prato esverdeado e fedorento!
Vou esfregar com sabão em pedra.
Não, não.
Vou deixar molho na Qboa, pra parar de feder.
Depois esfrego, agora vou…”
Nesse ritual de presença…
Conheço.
Conheço.
Conheço.
Subo uma escada.
Depois desço a mesma escada.
Subo, desço.
Subo, desço.
Subo, desço.
Logo não sei se estou subindo ou descendo.
Mas…
Sei.
Só sei.
Sei, só sei que sou um ser espiritual.
Um ser espiritual que vive num corpo feminino.
Um corpo feminino com funções e botões bem interessantes.
Mas em essência só é, sem identificações.
E isso?
Isso é tudo!
Só é!
Silencie.
Se essa experiência encontrou a sua, me escreva.
— espiritualidade.
♡♡♡
P.S. Já aceitou que você é um ser espiritual que está vivendo uma experiência na carne?
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