-paolice.

O que se vive, se escreve

#11

Primeiro, a experiência.

Depois, o silêncio, a clareza.

Então, a palavra.

Sinto algo subir pela base da minha coluna. 

Que sobe, sobe, sobe…

Para nas minhas entranhas.

Ou sobe e para no estômago, no coração, na garganta, no meio do cérebro, até no topo da minha cabeça. 

Tudo de uma vez, ou alternado, mas para cima.

Outras vezes nem sobe.

Já vem direto como embrulho no estômago, me dá ânsia.

Algumas vezes é um aperto forte no peito, me dá pontada.

Até uma pressão no meio da minha testa, me dá tontura.

Quando não é isso…

Puxa pelas costas, passa pelos braços e flui para o corpo todo.

Depois que algum desses processos acontecem já sei: “aí vem coisa”.

Que coisa?

Nem sempre sei dizer que coisa é.

Mas vem, vem em camadas…

Superficiais aqui em cima e profundas lá dentro do meio, juntas e separadas.

Com rapidez ou devagarinho. 

Se ignoro, persiste. 

Se atento, foge.

Excelente ou nem tanto. 

Na maioria das vezes, não tenho nem nome para essa coisa. 

Ela não é nomeada. É não nomeada.

Palavras nem sempre conseguem trazer resposta a tudo.

Isso é frustrante em alguns momentos.

Se vou contar a alguém, sobre a coisa que sobe e para não sei aonde, digo o quê?

Sempre há a pergunta… 

“Quem?”

“O quê?”

“Quando? 

“Onde?”

“Como?”

“Por quê?”

Digo: “Deixa pra lá, só sei que é alguma coisa.”

E fico por dias intrigada com isso.

Depois passa?

Não, não passa, até vir a origem.

E a origem pode ser qualquer coisa. 

Qualquer coisa mesmo!

Mas consigo identificar que foi ela que subiu, subiu, subiu…

Só depois que acontece consigo dar algum nome para o que aconteceu.

Nome para o resultado, não nome para a origem.

Algum nome que não vem acompanhado de explicação.

Há quem diga que isso é intuição.

Digo é, é, é, só que…

Só que, mais profundo. 

Mais dentro. 

Mais interno. 

Mais visceral. 

Na carne. 

Selvagem.

Entende? 

Há quem entenda, há quem não. 

Tá tudo bem com isso. 

Meu cérebro também não entende.

Ele rejeita, não acredita, diz que são bobagens.

Racionaliza aqui e ali.

Mas meu corpo.

Mas minha essência.

Mas minha Centelha Divina.

Sim, entende.

Entende sem nomear, sem explicar.

Só entende o que meu corpo sentiu.

Isso é o que importa.

Silencie.

Se essa experiência encontrou a sua, me escreva.

sentir.

♡♡♡

P.S. A observação e intuição feminina são inatas, permita que ela venha até você com a essência e pureza de uma criança.

P.P.S. Se está chegando agora, entre. Se você está dentro, continue.

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